O Porta-Filtro Sem Paredes: Testamos o Hario Suiren (E o Resultado Surpreendeu!)
Se você adora testar novidades e acompanhar a evolução dos acessórios no mundo dos cafés especiais, prepare o coração. A tradicional marca japonesa Hario lançou um porta-filtro que quebra totalmente os padrões visuais e técnicos que estávamos acostumados a ver no clássico V60.
Estamos falando do Hario Suiren, um método novo, modular, super curioso e que promete trazer uma proposta completamente diferente para a sua xícara.
Para desvendar tudo sobre essa novidade, nós preparamos um café e testamos o equipamento em detalhes. Você pode assistir ao vídeo completo do teste aqui embaixo ou continuar a leitura para entender como ele funciona.
O Que É o Hario Suiren?
O nome já entrega a inspiração: Suiren significa Flor de Lótus em japonês. E basta olhar para ele para entender o motivo. O porta-filtro tem o formato de uma flor desabrochando e traz uma proposta inovadora: ele não tem paredes fixas.
Diferente do tradicional Hario V60, que possui uma estrutura de cerâmica, vidro ou plástico fechada com ranhuras internas, o Suiren é composto por um anel de suporte na base e 12 pétalas removíveis de plástico (resina PCT de alta qualidade, livre de BPA).
E a parte mais legal? Ele é totalmente modular. Na hora de comprar, o consumidor pode escolher as cores das pétalas. Dá para misturar tons, montar um porta-filtro colorido ou combiná-lo com as cores das embalagens dos seus cafés favoritos. O modelo que testamos por aqui é a versão clássica, que mistura pétalas em tons de azul, vermelho e branco, mas as possibilidades são infinitas.

Qual a Diferença na Extração? (A Teoria e a Prática)
A ausência de paredes laterais muda completamente a dinâmica da água passando pelo pó.
No V60 tradicional, as ranhuras ajudam o ar a escapar, mas a parede do porta-filtro ainda dita o fluxo e segura o filtro de papel. No Hario Suiren, como o papel fica apoiado diretamente nas pétalas e exposto ao ar nos vãos entre elas, ocorre o que chamamos de extração por porosidade total.
O papel expande livremente para fora quando recebe a água, o que aumenta o fluxo e permite uma extração consideravelmente mais rápida.
O resultado na xícara: Por ter um fluxo livre e uma velocidade maior de escoamento, o Suiren entrega uma bebida extremamente delicada, limpa e que ressalta muito as notas ácidas e cítricas do café.
O Passo a Passo do Preparo
Para testar o Hario Suiren na prática, escolhemos o café Maresia, produzido na Fazenda Caxambu, em Três Pontas/MG. Ele é um café da variedade Arara com processamento Natural (Passa Natural), que entra na nossa categoria de Frutados. É um café complexo, que carrega notas nítidas de morango, hibisco, limão e mel, sendo um dos queridinhos por aqui justamente por sua acidez cítrica e brilhante.
Utilizamos acessórios que facilitam muito a rotina de quem faz café filtrado, como um nivelador de filtro (uma espécie de cone de acrílico que ajuda a moldar perfeitamente o papel no formato físico do Suiren na hora de escaldar, evitando que ele fique torto e mude o fluxo de água).
Seguimos uma receita clássica na proporção de 1:15 (muito amada pelos baristas):
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Café: 21g de café Maresia (moagem média)
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Água: 300ml de água quente
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Proporção prática: Cerca de 7g de café para cada 100ml de água.
Como Fizemos a Extração:
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Pré-infusão: Começamos colocando um pouco de água apenas para hidratar todo o pó (cerca de 40g a 50g) e deixamos agir por alguns segundos. Esse passo é essencial para garantir que todos os fragmentos de café comecem a liberar os gases e se solubilizem por igual. Durante a pré-infusão, já dá para ver o café transbordando levemente pelos poros do papel nas laterais expostas do Suiren, liberando muita aromatização no ambiente.
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Primeiro e Segundo Despejos: Fizemos despejos contínuos e centralizados, aplicando uma turbulência alta com movimentos circulares rápidos. O objetivo foi acelerar o tempo total para aproveitar ao máximo a proposta do método de destacar a acidez. No segundo despejo, subimos o volume até cerca de 60% a 70% da nossa meta.
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Finalização: Completamos o restante da água até atingir os 300ml na balança. O tempo total de extração ficou em 2 minutos e 45 segundos — um tempo rápido para essa quantidade de café, mostrando como o fluxo flui livremente no Suiren.

Notas Sensoriais: Como Ficou o Café?
Ao provar o Maresia extraído no Suiren, a sensação foi de uma delicadeza extrema. A acidez cítrica do café veio logo no primeiro plano, parecendo um “chazinho de hibisco” bem limpo e brilhante, acompanhado pelo toque frutado de morango.
Como o Maresia é um café natural de secagem lenta, ele já possui muita doçura por si só, o que trouxe um equilíbrio perfeito para a xícara, evitando que a acidez ficasse agressiva. Mesmo quente, as notas eram nítidas, e conforme a bebida foi esfriando, a complexidade e o frescor aumentaram ainda mais.
Vale a Pena Comprar o Hario Suiren?
Se você já tem um V60, uma cafeteira italiana ou qualquer outro porta-filtro em casa, a dúvida se vale a pena investir em mais um acessório sempre aparece.
No universo dos cafés especiais, cada pequeno detalhe soma. Qualquer mudança na estrutura do equipamento altera a forma como os sólidos do café são extraídos. O Suiren não entrega a mesma bebida que o V60 tradicional de cerâmica; ele traz um perfil sensorial próprio, focado na leveza e no brilho das notas mais exóticas e ácidas.
Portanto, se você adora colecionar métodos, curte a estética diferenciada de “cafeteria” na sua bancada, gosta de brincar com o visual modular e quer explorar o lado mais brilhante e aromático dos grãos, o Hario Suiren vale muito a pena! Afinal, o mundo do café especial existe para isso: para explorarmos novas experiências a cada xícara.
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