O Universo Sem Volta dos Cafés Especiais – Uma Tradição Que Virou Paixão

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Eu tive o privilégio de nascer em uma família de cafeicultores. Tradição que já vem de seis gerações da família Reis. Lembro do meu pai chegando da roça de tardezinha, trazendo as garrafas com o leite que foi “tirado” naquele mesmo dia.

Eu e meus três irmãos tomávamos cerca de seis litros de leite da roça, com chocolate, por dia. Ainda pequenos, amávamos a tal da mamadeira. Acontece que, meu pai, como bom cafeicultor e entusiasta do seu trabalho, vira e mexe “trocava” o chocolate por café na nossa mamadeira, para começarmos a gostar da bebida.

Dito e feito. Somos quatro irmãos que não passam um dia sequer sem tomar um café. Sempre tomamos o café da roça, devido ao “engano” do meu pai que colocava café “sem querer” na mamadeira.

Quando eu e meus irmãos saímos da pequena cidade de Três Pontas (no interior de Minas Gerais) para definir nossos destinos, nunca faltou na mala a “comidinha” de casa e o pó de café da roça. Tomar café em casa, coado com o pó da Fazenda Recanto, trazia uma enorme alegria e satisfação ao iniciar o dia com uma bebida surpreendente. Mais do que isso, ela fazia (e ainda faz) toda a diferença na hora de estudar e criar, despertando e aguçando a minha criatividade.

Preparando café na Fazenda Recanto - Café disponível aqui
Preparando café na Fazenda Recanto – Café disponível aqui

Acontece que tomar o café da roça já era um hábito meu. Não percebia o que isso poderia representar para outras pessoas. A certeza de que a qualidade desse café também poderia mudar a vida de outras pessoas ficou clara quando alguns amigos experimentaram e se apaixonaram, já no primeiro gole.

Eu, o Sérgio (que também é de Três Pontas) e o Marcos (grande amigo nosso), quando percebemos que cafés de qualidade impulsionava a alegria e satisfação das pessoas, nós resolvemos facilitar a obtenção da matéria prima causadora de todos esses sentimentos. Em outras palavras, nos juntamos para tornar possível para qualquer pessoa também desfrutar das experiências incríveis que são proporcionadas por cafés de qualidade.

Nós que tomamos café todo dia, criamos este hábito, que, somado às nossas lembranças, define a nossa história. Somos preocupados com o que consumimos e as diversas opções de produtos, em conjunto com a necessidade de agilizar a nossa vida moderna, acaba nos afastando do que realmente importa.

Fazenda Recanto
Produtor Francisco na lavoura de café da Fazenda Recanto – Café disponível aqui

Nós já falamos aqui o que é um café especial e o que ele representa para nós neste post.

Ter uma vida de qualidade, alimentação saudável e de qualidade demanda atenção ao produto que consumimos.

O trabalho do produtor, o maior responsável pelo café, é fundamental. Saber a origem dos produtos que consumimos nos aproxima de sua história e também valoriza o trabalho árduo realizado para se atingir a maior qualidade possível.

É por esse motivo que mantemos uma relação próxima com todas as fazendas que produzem os cafés que oferecemos. Assim, criamos um laço de amizade com os produtores, acompanhamos a safra e escolhemos os melhores lotes. Aproximamos o consumidor com o produtor, expondo toda a história por trás de cada café incrível.

Débora, Sr. Donizetti Araújo (Fazenda Seixal) e Sérgio
Débora, Sr. Donizeti Araújo (Fazenda Seixal) e Sérgio na Fazenda Seixal – café disponível aqui

A torra fresca e bem trabalhada deixa o grão no ponto para ser consumido. Mais do que isso, a moagem realizada na granulometria específica para o método de preparo que será utilizado faz a diferença na xícara. Por isso, fazemos questão de dar a opção aos nossos clientes de escolher a moagem específica para receber seu café.

As notas de sabores e aromas dos grãos são identificáveis naturalmente, pois são características de sua origem, sem nenhuma adição artificial, perceptíveis sutilmente, como as notas do vinho. A doçura já vem da lavoura, plantada no pé! Vale experimentar sem adoçar.

Consumir cafés especiais aumenta os horizontes do produtor. A preferência do consumidor já está nos números: a expansão da demanda por cafés mais bem cuidados desde o cultivo, passando pela colheita e finalizando com a preparação da bebida é crescente, de acordo com a pesquisa feita anualmente pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Em razão da maior exigência dos consumidores brasileiros pela qualidade, os cafés excelentes produzidos no Brasil, que eram enviados para o exterior, passaram a ser consumidos internamente também.

A tradição do café do meu pai e da minha família é hoje prazer nas casas do mundo inteiro. Uma frutinha que traz milhões de possibilidades sensoriais e está abarrotada de histórias. Herança da minha família e que dita o meu futuro.

Café especial
Preparando café na Fazenda Seixal – Disponível aqui

Sim, o nosso trabalho de levar cafés de qualidade para todos é árduo e o caminho é longo. Mas é gratificante e prazeroso. O retorno dos nossos clientes, que estão descobrindo o prazer de degustar cafés que antes eram valorizados apenas no exterior e criando seu próprio ritual a partir desses grãos, nos motiva ainda mais para continuar levando este legado em forma de bebida para todo mundo.

Levamos cafés diferentes e incríveis que carregam, além de sabores e aromas para exercitar a memória gustativa, o gosto e o cheiro de onde foram cultivados.

Tomar café especial é mais que apenas degustar uma bebida. Ele aproxima as pessoas, traz sensações e lembranças, além de contar histórias espetaculares.

Portanto, acredite quando digo que é um universo sem volta….

Cafés especiais
Venha para este universo de sensações. Cuidado, é um caminho sem volta!

A História do Café: Entenda Sobre a Origem de Uma das Bebidas Mais Consumidas no Mundo

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A lenda por trás da origem do café e a disputa para a sua chegada no Brasil

Acredita-se que a origem da planta do café foi na região de Kaffa, na Abisínia (Etiópia), localizada no norte da África. Neste local, até hoje, encontra-se a planta do café como vegetação natural.

No entanto, há muitas lendas que relatam sobre a origem do café, mas nenhuma evidência histórica real sobre a sua descoberta.

A lenda mais aceita é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há mais de mil anos, por volta do século III d.c.. Supostamente, Kaldi possuia cabras e, observando o seu comportamento, notou uma alegria, motivação e energia extra sempre que elas mastigavam os frutos de coloração avermelhada. Tais frutos eram encontrados nos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio. Somente com a ajuda deles, as suas cabras conseguiam caminhar por vários quilômetros.

Kaldi comentou com um monge da região sobre o comportamento do seu rebanho, que experimentou e aprovou o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério e, posteriormente, ele teria começado a consumir os frutos na forma de infusão. Ele percebeu que a bebida ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida, havendo evidências que mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yêmen.

Embora a lenda do pastor Kaldi relate a aparição do café em torno do século III d.c, os manuscritos mais antigos que mencionam a sua cultura, datam de 575 d.c. no Yêmen. Local onde o café era consumido como fruto in natura e passa a ser cultivado. Somente no século XVI, na Pérsia, os primeiros grãos de café foram torrados para se transformar na bebida que hoje conhecemos.

Café torrado
Grãos de café torrado – Clique aqui e veja os cafés disponibilizados pelo Coffee & Joy

A Arábia foi quem propagou a cultura do café, que em pouco tempo tornou-se muito importante para os árabes. O café era um produto guardado a sete chaves por este povo e era proibido que estrangeiros se aproximassem das plantações.

A semente de café fora do pergaminho não brota, portanto, somente nessas condições as sementes podiam deixar o país. Por este motivo, eram os arábes quem possuíam, à época, o controle único sobre o cultivo e a preparação da bebida.

Ao contrário do que se acredita, a palavra “café” não é originária de Kaffa — local de origem da planta — e sim da palavra árabe qahwa, que significa “vinho” (قهوة), devido à importância que a planta passou a ter para o mundo árabe. Quando chegou à Europa, o café era conhecido como “vinho da Arábia”.

Até o século XVII, apenas os árabes produziam café, entretanto, os viajantes, em suas frequentes passagens ao oriente, transportavam o café para a  Europa.

Com a chegada dessa bebida ao velho continente, os alemães, franceses e italianos começavam a procurar uma maneira de desenvolver o plantio em suas colônias, enquanto os holandeses conseguiam as primeiras mudas de café e as cultivavam nas estufas do jardim botânico de Amsterdã.

A partir das primeiras mudas de café cultivadas pelos holandeses, eles iniciaram, em 1699, plantios experimentais em Java (Indonésia). Essa experiência teve sucesso e trouxe lucro, encorajando outros países a tentar plantá-las. A Europa maravilhava-se com o cafeeiro como planta decorativa, à medida que os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Dessa maneira, o café se tornou uma das bebidas mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus.

Por apresentar sabor agradável e por ser estimulante, o café era o produto da moda digno de receber grandes investimentos. O progressivo interesse pela bebida permitiu sua “globalização” e facilitou a intervenção cultural tanto nas formas de consumo quanto nas técnicas de plantio.

Café no Brasil, na Colômbia e no Vietnã
Café no Brasil, na Colômbia e no Vietnã

O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas.

No Brasil

Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial pelo mundo.

Para isso, Palheta foi à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conhecido na época como um galantiador nato, Palheta conquistou a sua confiança e conseguiu dela uma muda de café arábica, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.

As primeiras plantações no Brasil foram feitas na Região Norte, mais especificamente no estado do Pará, numa cidade pequena próximo a Belém. As mudas dessas plantações foram usadas, posteriormente, para plantios no Maranhão e na Bahia, na Região Nordeste.

As condições climáticas nestes locais não eram as melhores para o cultivo do café e, entre 1800 e 1850, tentou-se a cultura noutras regiões. O desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Rio de Janeiro, depois São Paulo e Minas Gerais, locais onde o sucesso foi total.

O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil e de divisas externas durante muitas décadas a partir de 1850.

Lavoura de café da Fazenda Recanto - Carmo da Cachoeira, MG - Cafés disponíveis aqui
Lavoura de café da Fazenda Recanto – Carmo da Cachoeira, MG – Cafés disponíveis aqui

O sucesso da lavoura cafeeira em São Paulo, durante a primeira parte do século XX, fez com que o estado se tornasse um dos mais ricos do país. Isso possibilitou que vários fazendeiros indicassem ou se tornassem presidentes do Brasil naquela época (política conhecida como café-com-leite, por se alternarem na presidência paulistas e mineiros).

O café era escoado das fazendas depois de secados nos terreiros de café, no interior do estado de São Paulo, até as estações de trem, onde eram armazenados em sacas, nos armazéns das ferrovias. Logo após, as sacas eram embarcadas nos trens e enviado ao Porto de Santos, por meio de ferrovias, principalmente pela inglesa São Paulo Railway.

Atualmente, o café representa uma importante fonte de renda em vários países e é a segunda bebida mais consumida do mundo.

Possui aroma e sabor característicos e vários benefícios comprovados cientificamente, principalmente para a saúde.

Por este motivo, cada vez mais os produtores preocupam em produzir o melhor café para os seus consumidores. E a equipe C&J, preocupada em levar o melhor aos seus clientes, traz toda a informação e história por trás dos cafés que são disponibilizados no site. Confira aqui!

 

BIBLIOGRAFIA

ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) «O café no Brasil». A história do café. Consultado em 12 de julho de 2016.

DPASCHOAL, L. N.: Aroma de Café. DPaschoal, 2006.

NEVES, C.: A estória do café. Instituto Brasileiro do Café, Rio de Janeiro, 1974.

MERGULHÃO, Benedito: O General Café e a revolução Branca de 1937. Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro, 1943

MERGULHÃO, Benedito: A Santa Inquisição do Café. Irmãos Pongetti Editores, Rio de Janeiro, 1940

Mexido de Ideias. «Origens do Café». Mexidodeideias.com.br. Consultado em 12 de julho de 2016.

TAUNAY, A. de E.: História do café no Brasil: no Brasil Imperial 1822-1872. Departamento Nacional do Café, Rio de Janeiro, 1939.