A simplicidade, o tato e a curiosidade do produtor Donizeti, nos seus 40 alqueires de terra sobre os morros, faz do café da Fazenda Seixal ser ainda mais especial. Por isso, esta história ganha destaque na Parte 6 da Série A Origem do Nosso Café!
O produtor Donizeti, que fabrica máquinas e equipamentos agrícolas para outros produtores de café, após tanto contato com a cultura por meio de seus clientes, resolveu comprar a Fazenda Seixal, que já está com ele há 10 anos.
Um verdadeiro amante do café e que põe a mão na massa, com todo orgulho! Nosso registro disso tudo, ficou marcado aqui:
Débora, Donizeti e Sérgio, na Fazenda Seixal
O café especial é produzido a 1100 metros de altitude, na pequena cidade de Campos Gerais, no sul de Minas Gerais.
Como está em uma região montanhosa, todo o cultivo é feito manualmente, por conta do difícil acesso das máquinas. Além de dar um toque especial e mais humano, o contato direto do produtor com a sua lavoura é o diferencial para que se extraia uma bebida inigualável.
Dos 40 hectares da Fazenda Seixal, 20 são de mata nativa que rodeiam a sua lavoura, mata esta que é preservada por Donizeti até hoje e que irá continuar assim. Entre as ruas da lavoura, também se encontram árvores nativas e que fazem sombras sobre uma porção de pés de cafés, mantendo a umidade e temperatura dos seus frutos no ponto perfeito para tirar um café especial, o delicioso café de sombra.
A Fazenda Seixal é o recanto de Donizeti, que sempre que possível reúne a família e amigos nos tempos livres. Uma das suas grandes paixões é poder ficar na Fazenda e cuidar pessoalmente de toda a produção.
Veja aqui o vídeo completo sobre a nossa visita na Fazenda Seixal:
Preocupado em manter-se atualizado, aumentando a produção e a qualidade do seu café, Donizeti iniciou em 2016 a plantação de mudas de um novo café desenvolvido pelo programa de melhoramento genético do café da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), o Aranãs. A expectativa é que a nova cultivar seja resistente à ferrugem, possuindo alta produtividade, e se destacando com grãos graúdos – porcentagem maior de peneira de 16 acima – e, o mais importante, extraindo uma bebida de qualidade diferenciada.
Hoje, oferecemos uma verdadeira pérola desta Fazenda. Com nome dado em homenagem á região de serras da cidade de Campos Gerais, o café especial Serra Gerais traz, na xícara, todo esse cuidado e dedicação do produtor Donizeti.
Possui acidez cítrica, corpo viscoso, fragrância e aroma suave com notas de chocolate amargo e frutas secas, e uma finalização moderada e marcante com notas de chocolate amargo. É sensacional. A torra média deixa o sabor mais intenso e é feita artesanalmente para dá um toque especial para este café espetacular.
Desde o preparo, passando pelo aroma e finalizando com o sabor na xícara, traz uma experiência de tirar o fôlego.
Com absoluta certeza, este é um café que vale a pena fazer parte do dia a dia de qualquer bom apreciador.
Produtor Donizeti, na lavoura sombreada da Fazenda Seixal
Há 40 anos na família, a Fazenda São Joaquim leva o nome do santo xará do seu proprietário, Joaquim Pereira Miranda (ou Quinzinho, como é conhecido na região). Apesar de hoje estar sob os cuidados do seu filho, Carlinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos, Quinzinho acompanha de perto a evolução da Fazenda.
A Fazenda São Joaquim vem participar da Parte 5 da Série a Origem do Nosso Café, para nos mostrar como que um filho consegue, de maneira brilhante, manter a paixão do seu pai que hoje tornou-se sua.
Hoje, totalmente mecanizada, com uma produção já pensada nos cafés especiais, a Fazenda São Joaquim produz cafés de altíssima qualidade e possui tanto o processo do cereja descascado como natural.
Registro da Visita da Equipe Coffee & joy na Fazenda São Joaquim
O amor do Carlinho pela roça e seu orgulho do legado do seu pai Quinzinho são os pilares desta Fazenda. Mais do que isso, os trabalhadores da fazenda também já estão há muito tempo junto com eles, sustentando com bastante garra as bases construída por Quinzinho. Hoje, são mais que trabalhadores, são amigos e companheiros de trabalho.
Por conta disso, Quinzinho e Carlinho beneficiam seus trabalhadores com salários acima da média de mercado e os presenteiam com treinamentos específicos da cultura de café, para se especializarem e acompanharem tudo o que há de novo no mercado da produção do café especial.
Produtor Quinzim no lavador de café.
O cuidado e o bom relacionamento com os trabalhadores é visível numa breve passagem na Fazenda e é um diferencial na produção de cafés especiais de altíssima qualidade.
Localizada no pequeno município de Santana da Vargem, no interior de Minas Gerais, está a 900 metros de altitude. Produz cafés da variedade Mundo Novo, 100% Arábica. Veja aqui, tudo isso que pudemos sentir na nossa visita à Fazenda São Joaquim:
Os cafés especiais da Fazenda São Joaquim foram escolhidos com muito carinho pela equipe Coffee & Joy.
De um lado, o Frutado Natural que passou pelo processo de produção natural, com secagem realizada em secador no formato de caixa (nova tendência da cultura do café). Para extrair o melhor da bebida, a torra é média e é feita artesanalmente com muita ciência, claro.
Do outro, o Espresso Joaquim, este passou pelo processo de despolpa (cereja descascado). Para este café, a torra foi mais desenvolvida, ou seja, os grãos ficam um pouco mais no torrador, dando um perfil de torra média escura.
Com o café Espresso Joaquim queremos ressaltar as notas de chocolate meio amargo dos grãos para levar qualidade e sabor para quem aprecia cafés mais caramelizados e intensos.
Simplesmente incrível. Confira essa tradição e legado em forma de bebida!
Seguindo a tradição do Sr. Edmundo Otaviano Silva (in memoriam), a sua esposa, Maria Tereza, e os filhos Adriana (em conjunto com o marido Vítor), Ana Cristina e Francisco, que herdaram a Fazenda Estrela há 3 anos, produzem cafés especiais de altíssima qualidade da mesma forma que era feita pelo Sr. Edmundo.
Esta família é a estrela também da 4ª Parte da Série A Origem do Nosso Café.
Um legado passado de pai para filhos e que começou de forma simples. Sr. Edmundo e sua esposa, Sra. Maria Tereza, moravam na Fazenda Estrela e produziam, além do café, mandioca, abacaxi, etc, e criavam gado. De pouco em pouco foram comprando terras na região e ampliando a sua lavoura.
A cultura do café, todavia, começou pelos avós do Sr. Edmundo e ainda continua como tradição na família.
Hoje, os irmãos Adriana, Ana Cristina e Francisco e a matriarca Maria Tereza possuem uma vontade única de continuar o legado do Sr. Edmundo, trabalhando sempre juntos e unidos nas terras herdadas do pai e marido.
Sérgio Miranda, Maria Tereza, Adriana e Débora Reis.
Localizada no sul de Minas Gerais, na cidade de Três Pontas, a Fazenda Estrela está a 900 metros de altitude, localizada estrategicamente nos arredores da represa de Furnas, perto do distrito do Pontalete e só produz café 100% arábica.
Os atuais funcionários também são um legado da Fazenda Estrela e são muito queridos pelos proprietários. Todos moram na Fazenda, já trabalham há bastante tempo lá e também são de gerações de antigos funcionários. Assim como aconteceu com os avós do Sr. Edmundo, grande parte dos trabalhadores são netos e parentes das pessoas que estão lá desde o começo.
Secador da Fazenda Estrela
A Fazenda Estrela coleciona prêmios de bebida de café. Em 2014, ganhou o prêmio de melhor café de uma cooperativa local e de grande influência no mercado de cafés do sul de Minas Gerais.
Sempre preocupados em melhorar, sem deixar de lado as suas tradições, a família tem interesse em aprimorar cada vez mais o método de produção do café especial.
O diferencial dos cafés especiais que são produzidos na Fazenda Estrela é, com absoluta clareza, o carinho e orgulho que os filhos e esposa do Sr. Edmundo tem por essas terras.
Sérgio Miranda, Vítor e Débora Reis na visita à Fazenda Estrela
Para manter a tradição e alta produção, o solo é analisado por agricultura de precisão e corrigido de acordo com a recomendação dos agrônomos que acompanham a Fazenda. Possuem o método de manejo da lavoura chamado de Safra Zero, que consiste na aplicação programada de poda (esqueletamento) da lavoura a cada ano, de maneira a coincidir com o ano de safra alta, para zerar a safra baixa. Ou seja, um ano de alta produção de determinada lavoura e o seguinte de baixa, sendo um manejo da cultura que vem obtendo a adesão crescente de propriedades nos últimos anos.
Conheça a Fazenda Estrela, assista ao vídeo completo aqui:
A Fazenda Estrela, que já brilha no nome, possui variedades diferentes de frutos (acaiá, catuaí, etc) e de processo de produção: o cereja descascado e o natural.
Nas visitas à Fazenda, a equipe C&J optou por selecionar os cafés de variedades e processamentos diferentes, para possibilitar uma melhor experiência nas sensações que a Fazenda Estrela pode nos proporcionar. Por isso, selecionamos dois cafés especiais, que passaram por processamentos diferentes.
O Acaiá Descascado passou pelo processo de despolpa (cereja descascado) e possui característica diferenciada, com um sabor suave e delicado.
Enquanto o Rei Sol passou pelo processamento natural, ou seja, foi lavado para separar maduro de bóia e depois seco em terreiro de cimento e possui características sensoriais típicas deste processamento.
Cafés especiais que tem gosto e sabor de onde foram cultivados, além de contar muita história dessa família que dá orgulho de se ver. Cada xícara é uma porção do legado que foi deixado pelo Sr. Edmundo e seus avós.
Visando proporcionar uma experiência inigualável na degustação da bebida, a equipe C&J escolheu para os cafés da Fazenda Estrela uma torra média que ressalta a doçura e acidez da bebida, sendo que a torra é feita artesanalmente. Cheiro e aroma de tradição da família Pereira e Silva também podem ser apreciados em cada xícara desses cafés diferenciados.
Continuando a Série A Origem do Nosso Café, nesta Parte 3, é apresentado Francisco Valdemar dos Santos Reis, que produz café há 30 anos na Fazenda Recanto e vem da sexta geração da família que trabalha com a bebida. Através da produção de café, o Sr. Francisco conseguiu formar os seus quatro filhos na universidade nos cursos de Filosofia, Direito, Engenharia e Economia.
A cultura do café é tradição na família Reis e motivo de muito orgulho. O pai do Sr. Francisco possui outras terras na região e, ampliando o cultivo, adquiriu a Fazenda Recanto em 1986, que sempre foi bem cuidada pelo seu filho. Com o falecimento de sua mãe há alguns anos, o Sr. Francisco herdou uma parte da Fazenda Recanto, que hoje é dele e de sua irmã.
Produtor Francisco
A maioria das pessoas que trabalham na Fazenda Recanto estão desde o início com Francisco. Alguns trabalhadores são de geração de antigos funcionários e que vieram de outras terras da família. Sem dúvida, estes trabalhadores são o maior legado da Fazenda.
Francisco possui plantas das variedades Catuaí, Mundo Novo e Acaiá na Fazenda Recanto, e com boa técnica, conhecimento e muito, muito trabalho, consegue extrair grãos de altíssima qualidade, com sabor e aroma característicos das terras abençoadas do sul de Minas Gerais.
A Fazenda Recanto está localizada na cidade de Carmo da Cachoeira, MG, a 1000 metros de altitude, ideal para o plantio de cafés de alta qualidade. Possui áreas de vegetação nativa, árvores centenárias e que são preservadas pelo produtor e pelos trabalhadores.
As áreas nativas são tão especiais que os talhões de café foram nomeados considerando as espécies que possuem perto de cada um deles. A equipe C&J, em visita à Fazenda, conheceu os talhões de cafés do sassafrás, do ipê, da amoreira e da limeira.
Um registro gostoso da nossa visita na Fazenda Recanto:
Equipe C&J com produtor Francisco
O trabalho para produção dos cafés especiais é feito em parceria com os trabalhadores, que já tem a experiência e a simbiose no cultivo, por conta dos anos em que estão juntos na Fazenda. Os grãos, após colhidos, são lavados, separados os maduros dos verdes e secados no terreiro de cimento. Todo o processo especial de produção resulta na excelente bebida desta Fazenda.
Pensando em manter a tradição de cultivo de café desde os seus tataravós, Francisco pretende continuar trabalhando por mais 30 anos na Fazenda Recanto. Para tanto, tem como plano para o futuro, o investimento na mecanização do processo e ampliação da produção de cafés especiais.
Conheça mais sobre a história fantástica do produtor Francisco aqui:
Este lugar é tão especial que levamos uma turma de assinantes do Coffee & Joy para uma visita guiada, por toda a produção de café especial. O resultado dessa visita você encontra neste post aqui.
O café especial da Fazenda Recanto vem de uma região abençoada e ideal para o plantio de cafés especiais. O nome que demos ao lote que selecionamos lá foi Recanto do Ipê – referente ao talhão de café com o nome Ipê que existe lá e, é claro, o nome da fazenda!
Na segunda parte da série A Origem do Nosso Café, quem ganha destaque é uma mulher, que se encantou com as notas sensoriais que os grãos bem trabalhados podem trazer na xícara.
Em um intercâmbio fora do Brasil, Liana, da Fazenda Venda Nova, percebeu o quanto o produto brasileiro era valorizado lá, além das várias opções disponíveis e o tratamento diferenciado que as pessoas e lojas possuíam com o café especial.
De volta à Minas Gerais, se casou com João, que já era proprietário da Fazenda Venda Nova e que continuava a tradição da sua família, que cresceu no campo. Foi a partir deste momento que Liana começou a acompanhar a produção de café e também estudar sobre como produzir cafés especiais de qualidade.
O encantamento pelas notas sensoriais que o café especial pode trazer, o apreço e carinho, são motivadores para ela continuar cuidando sempre da fazenda e também produzindo cafés de qualidade.
A Fazenda Venda Nova fica na região cafeeira de Matas de Minas, na cidade de Santa Margarida, MG. Possui 900m de altitude e grãos de diversas variedades são cultivados na fazenda.
Sérgio Miranda e Seu Bidu ao fundo, no terreiro suspenso na Fazenda Venda Nova
Com a ajuda do gerente da Fazenda, Seu Bidu, e do Juninho, a fazenda é tocada ano a ano. Em 2016, iniciou-se a produção de cafés especiais e as mudanças realizadas foram positivas.
Seu Bidu seleciona os talhões da lavoura e colhe os grãos a medida que eles chegam no ponto ideal de maturação. Depois, os grãos são selecionados, lavados e secados em terreiro suspenso.
Claro, nossa equipe teve o prazer de acompanhar todo esse trabalho realizado na lavoura, que deixamos registrado:
Débora, Liana e Sérgio
Na época de colheita, que é feita manualmente, Liana conta com a ajuda de mais pessoas e famílias na lavoura.
A inspiração para produzir um bom café vem, também, das pessoas que trabalham lá, juntas, para obter uma excelente qualidade na xícara.
Para cuidar da natureza, a mata virgem da região é mantida em alguns pontos da Fazenda e Liana já plantou novas plantas nativas da região, inclusive frutíferas.
Um pouco do trabalho realizado na fazenda pode ser visto no vídeo completo aqui embaixo:
O cuidado direto de pessoas competentes e amantes do que fazem, somado com a escolha do talhão correto e com uma colheita realizada no tempo certo de maturação do grão, confere ao café da fazenda Venda Nova uma uniformidade e qualidade que se espera de um café bem trabalhado.
As nuances que os cafés especiais podem trazer e que encantam a produtora Liana, também encantou a nossa equipe, quando selecionamos os cafés da Fazenda Venda Nova.
Todo o trabalho realizado por pessoas apaixonadas com o que fazem resultou em um café especial incrível na xícara! Mais especificamente, o café selecionado por nós é da variedade Catuaí Vermelho, secado em terreiro suspenso. Além disso, o sabor do café é adocicado e frutado com notas de chocolate, morango, amora e melão.
O café produzido por Liana recebeu o nome de Tulipa das Matas, uma homenagem à delicadeza e encantamento da produtora e à região cafeeira que deu origem à esses grãos (Matas de Minas).
Que orgulho poder compartilhar essa sensação com todo mundo!
O Coffee & Joy tem um objetivo maior que é o de gerar uma cadeia sustentável do café. Para alcançar isso, uma das coisas que fazemos é aproximar os consumidores da origem dos cafés especiais que consomem.
Para alcançar este objetivo, resolvemos criar a série A Origem do Nosso Café, que será composta por 8 partes. Conhecer a origem do que consumimos nos aproxima cada vez mais daquilo que realmente importa. Saber de onde vem os nossos alimentos é certificar da qualidade deles e também auxiliar na cadeia sustentável de produção. Por isso, te convido a participar desta série comigo. Teremos histórias impressionantes e que dão gosto de conhecer!
O primeiro produtor em destaque é mais que especial. O Seu Aderson e Dona Maria Rosa são casados há 55 anos e possuem um sítio bem na Serra de Três Pontas, no Sul de Minas Gerais, chamado Sítio São João. A lavoura é inteiramente cuidada com matéria orgânica e todo processo é manual.
Seu Aderson é quem cuida diretamente de toda produção e tem ajuda de funcionários apenas quando não dá conta do serviço sozinho.
Eu tive o prazer de conhecer em primeira mão o trabalho que é feito lá e deixamos registrado este momento tão especial.
Dona Maria Rosa, Sérgio Miranda, Seu Aderson e Débora Reis, na lavoura de cafés especiais do Sítio São João.
O casal super simpático põe a mão na massa! A colheita é realizada manualmente e apenas depois que os frutos atingem o grau certo de maturação, para sempre obter cafés especiais. Depois de sair da lavoura, os grãos são secados em terreiro de cimento.
Dona Maria Rosa aproveita o sossego do pequeno sítio e sempre está cozinhando no fogão de lenha. Sorte a nossa, que fomos recebidos com um delicioso almoço na nossa visita no sítio!
De todo o trabalho, dedicação e paixão que levam para o Sítio São João, surge o café especial Guerreiro Bourbon. O nome em homenagem ao Seu Aderson, um verdadeiro guerreiro, que pôs a mão e cultivou esses excelentes grãos, da variedade bourbon vermelho.
A soma disso tudo é a prova na xícara de que simplicidade, dedicação, trabalho e paixão, gera qualidade.
Conheça todo o trabalho realizado no Sítio São João e a história dessas duas pessoas fantásticas! Assista ao vídeo completo:
Quer experimentar o café especial produzido com muito carinho por esses dois? Peça já o seu café Guerreiro Bourbon.
Se você já comprou um café de qualidade já percebeu que na embalagem, certamente, possui uma breve descrição sobre as características sensoriais dos grãos, como por exemplo, o sabor, aroma e a acidez.
Mas o que é isso?
Os cafés especiais possuem uma vantagem surpreendente de manifestar suas características de aroma e sabor da sua própria natureza ou origem, sem adições artificiais.
Uma torra bem trabalhada e fresquinha, bem como um preparo cuidadoso podem ressaltar essas características sensoriais dos grãos e nos fazer encantar ainda mais por este universo de cafés especiais.
Por isso, criamos um infográfico, com a descrição de todas essas características, para ficarmos mais expert e conseguir aproveitar melhor o nosso combustível diário de energia.
Interessante? Veja o infográfico abaixo para entender o que significam as notas sensoriais e, na hora de degustar novamente seu café especial, tente identificar essas características surpreendentes! Bom café!
Tomar seu café especial fica ainda mais interessante quando sabemos como aproveitá-lo ao máximo!
Lembre-se, as notas sensoriais são bem sutis, assim como as do vinho e são identificáveis apenas em cafés de qualidade, 100% arábica.
“Os amigos do Coffee & Joy nos proporcionaram uma experiência incrível!! Somos curiosos e apreciadores de café. Assim, conhecer do início ao fim a produção do café, da fazenda até a torra, nos fez entender muito mais a dificuldade de se obter um café especial. Entender que os pequenos cuidados no cultivo, secagem, seleção e torra podem gerar na nossa xícara foi intrigante e fantástico ao mesmo tempo. Passamos a apreciar ainda mais uma boa xícara de café! Descobrir que a cata do café pode ser bom para aliviar o stress foi ótimo! 😉 Muito obrigada Coffee & Joy pela experiência!”
Lara Lebreiro, advogada e Pedro Gonzaga, analista de investimentos, amantes de café e assinantes do Coffee & Joy
Este foi apenas um dos relatos do que a visita à Fazenda Recanto proporcionou às pessoas que participaram dessa incrível jornada. Assista ao vídeo abaixo para entender o porque desta resenha. Além disso, para o pessoal presente, tomar um café deixou de ser apenas degustar uma bebida.
O dia foi 17 de junho de 2017, em Três Pontas, bem no sul de Minas Gerais. Uma manhã ensolarada e fresca. A turma de 13 pessoas apaixonadas por café se encontrou na cafeteria da Cooperativa da cidade para pegar a estrada de terra.
Pé na estrada, em direção a Carmo da Cachoeira, para a Fazenda Recanto. Mas primeiro, um pequena paradinha, para apreciar a Serra de Três Pontas.
Serra de Três Pontas
Na Fazenda
Chegando na Fazenda Recanto, todos no meio da lavoura, onde o produtor Francisco deu a primeira “aula” e mostrou que café é estudo, conhecimento, técnica e muito, muito trabalho. Falou desde o manejo de uma lavoura ao longo do ano, principalmente dos cuidados preparatórios para época de colheita, até sobre a escolha da planta do café e a região de plantio.
Enganou-se quem achou que iria só passear, todos colocaram a mão na massa! Depois de ver a demonstração da colheita do café, todo mundo teve a oportunidade de “panhar” os grãos, direto do pé. Houve quem disse que a experiência foi terapêutica.
Colheita de café na Fazenda Recanto
Da lavoura seguimos para o lavador. Vimos os cafés chegando de trator ao lavador e sendo separados, em seguida sendo levados para o terreiro e, posteriormente, o trabalho de secagem. Com a ajuda de uma moto ou na mão, os trabalhadores rodam os cafés em torno de 15 vezes ao dia, para garantir uma seca uniforme aos grãos.
Na parte de maquinação, vimos o funcionamento do secador, descascador, beneficiamento e a chegada do grão cru às sacarias, com, é claro, uma grande aula do produtor Francisco.
Fechada a visita na Fazenda Recanto, seguimos para a Fazenda Triunfo. A fazenda Triunfo é uma propriedade centenária, herdada pelo Sr. Adolfo Reis, pai do produtor Francisco. Tivemos um acolhedor almoço, com uma bela feijoada, e muita prosa boa! Como já dizia um velho ditado popular: “Barriga cheia, pé na areia”, só que no nosso caso, é na terra mesmo! Assim, seguimos para a cidade.
No Armazém
Chegamos no Armazéns Gerais Padre Vítor, já na cidade de Três Pontas, MG. Sérgio Miranda, um dos fundadores do Coffee & Joy, deu uma aula de classificação de café para os nossos visitantes!
Nos Armazéns Gerais Padre Victor, Sérgio Miranda fala sobre classificação de café
Mostramos como são armazenados os cafés, como a escolha e separação de grãos de qualidade influencia na bebida e os principais defeitos que são encontrados no café. Com isso, em uma mesa de prova, colocamos uma amostra de Café Coffee & Joy e uma de Café Tradicional para evidenciar as diferenças sensoriais de cada um. Na xícara, foi demonstrado como os defeitos que não são separados dos cafés tradicionais interferem, diretamente, no gosto do café. A surpresa foi grande e a diferença montanhosa, já que os defeitos do café trazem, além do amargor, aromas e sabores indesejáveis.
Na Torrefação
Dando sabor aos grãos! Partimos para a etapa da torra do café. Em uma torra comentada pelo barista Jefferson, os visitantes puderam entender melhor como a torra bem feita irá influenciar na qualidade da bebida. Mais do que isso, foi possível visualizar todas as etapas pelas quais os grãos passam enquanto estão sendo torrado, incluindo a caramelização, liberação de óleos e definição dos sabores e aromas do café.
Torrando café da Fazenda Recanto
Por fim, fizemos uma degustação comentada do café, para que pudéssemos sentir, juntos, sensações que os grãos de qualidade nos proporcionam.
Na sua casa
Uma rápida, porém completa, visita a toda cadeia do café, como ela funciona e todo cuidado que os integrantes dessa cadeia precisam ter, para entregar para você uma bebida fina e da mais alta qualidade, lhe aproximando da origem e dos responsáveis por esta pérola que chamamos de café!
Todos os participantes da visita da Fazenda Recanto
E o que acharam nossos visitantes? Vamos ver?
“Fantástico acompanhar toda a rota do café, da Lavoura até a xícara. Visitar a fazenda, ver todo o processo da colheita e como é feito a escolha dos melhores grãos, deixou claro para mim que não é trabalho fácil. Muito bom presenciar e sentir toda a dedicação com que vocês realizam o trabalho de trazer sempre os melhores cafés. Foram tantas as dicas que agora saborear um bom café não é mais a mesma coisa. <3” – Tannus Esquerdo, desenvolvedor de software, amante de café e assinante Coffee & Joy
“Visitar a Fazenda Recanto e conhecer o processo de produção do meu café preferido, do plantio à minha xícara, me ensinou que café não é só uma bebida, e sim um ritual. Obrigado Coffee & Joy!” – Breno Mansur, administrador, Vanessa, esteticista, amante de café e assinante Coffee & Joy
“A visita/expedição foi sensacional! Tivemos a oportunidade de conhecer e participar de todo processo que envolve a produção do café, da lavoura à caneca. A visita mudou nossa visão sobre a complexidade e o trabalho tão bonito das pessoas que trabalham o café! Sem dúvida foi uma experiência única que envolveu cultura e lazer! Parabéns à Coffee & Joy pelo trabalho!” – Isabela Vieira, empresária e Halled Bersan, empresário, entusiastas do café.
“Passei a apreciar ainda mais os cafés após ter tido a oportunidade de aprender mais sobre enquanto colhia com as minhas próprias mãos os grãos e depois ver todo o processo da lavoura até o armazém, entender mais sobre a seleção e qualificação dos grãos, e finalizar a visita apreciando um café torrado e moído na hora tornou a visita na Fazenda Recanto uma experiência única. O café para mim agora é um ritual especial do dia.” – Simone Ferreira, arquiteta, recém chegada ao universo de cafés especiais e assinante Coffee & Joy
Diversas pessoas utilizam o café como fonte de inspiração e também de energia. Não é atoa que o café é a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água. Além disso, é também a segunda commodity mais negociada, sendo o petróleo a primeira. Aqui no Brasil, se consome anualmente mais de 20 milhões de sacas de café por ano. Entretanto, para suprir toda a demanda é preciso produzir. Por isso, o café gera 8.4 milhões de emprego e reúne 300 mil produtores espalhados por 14 estados brasileiros. Mais do que isso, o café é produzido em mais de 70 países diferentes e gera trabalho para mais de 100 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo.
São por estes e outros motivos que acreditamos ser importante conhecer os processos pelos quais nossa bebida favorita passa até chegar a nossa mesa. O trabalho para se chegar na xícara perfeita é árduo e complexo, mas detalhamos de forma simples e informativa para te aproximar ainda mais deste universo fantástico! Vamos lá?
Plantio
Primeiro passo da produção é realizar o plantio do café. No Brasil, as duas principais espécies de café são arábica e robusta. O cafeeiro arábica é uma planta de clima tropical úmido, ou seja, o ideal para seu cultivo são locais de temperatura médias anuais na faixa de 18 a 22 graus celsius. Temperaturas médias elevadas provocam o abortamento de flores. Ainda, regiões com precipitações anuais acima de 1200mm ou com deficiência hídrica inferior a 150mm são consideradas impróprias para o cultivo.
Já a espécie robusta tem como origem a bacia do Congo, na África, e possui uma maior resistência. Por exemplo, regiões com temperaturas médias entre 22 e 26 graus celsius são consideradas aptas para o cultivo. Além disso, a bebida do café robusta é considerada inferior a bebida do cafeeiro arábica, mas os grãos do tipo robusta são bastante utilizados em café instantâneo e também em blends comercializados em gôndolas de supermercados. A quantidade de cafeína do robusta é o dobro da quantidade existente no arábica.
Dito isso, a escolha natural para quem quer produzir café que apresente qualidade e complexidade na bebida, é o cafeeiro arábica. Dentro da espécie arábica existem diversas variedades. Por exemplo: Catuaí, Catucaí, Mundo Novo, Bourbon Amarelo, Acaiá, Rubi, Obatã, Icatú, etc. A diferença entre uma variedade e outra pode ser em relação a características vegetativas, que inclui a arquitetura do cafeeiro, vigor, resistência a pragas, etc. Também são diferenças entre uma variedade e outra as características produtivas como renda, maturação e produtividade.
Uma vez escolhida a variedade, é preciso adquirir a muda para se plantar no campo. A produção de mudas é feita através de frutos de lavouras sadias e produtivas. A qualidade da muda tem grande influência no pé de café, por isso há um controle rigoroso dentro dos viveiros. Por exemplo, as sementes devem ser de frutos no estádio cereja, que serão despolpado, degomados e secados à sombra. Esses cuidados tendem a gerar mudas que serão produtivas e sadias.
O Desenvolvimento do Fruto
Após o plantio, o pé de café demora por volta de 18 meses para dar a sua primeira florada. A florada indica uma produção pendente, não necessariamente todas as flores darão origem a frutos de café.
Na fase seguinte vem o chumbinho, que já é um fruto de café que deverá se desenvolver. A medida que o chumbinho se desenvolve, ele vira um fruto verde. Os frutos verdes, ao se desenvolverem, darão origem aos frutos verde-cana. Em seguida, os frutos verde-cana se desenvolverão para dar origem a frutos cerejas maduros. É nesse estádio de maturação que o café deve ser colhido. Caso isso não aconteça, o café passará para o estádio de passa e posteriormente para o estádio de seco. Consequentemente, quanto mais tempo se deixa o café no pé, após ele passar do estádio de cereja, mais se perde a qualidade do fruto.
Etapas que o fruto do café passa durante seu período de maturação
A Colheita
Os frutos de café devem ser colhidos quando estiverem em seu estado de cereja, que são quando os frutos estão maduros. A colheita é a operação mais importante sob o ponto de vista econômico-social dentro da lavoura de café. Além disso, ela tem uma ampla participação nos custos de produção do café, uma vez que é utilizado uma quantidade grande de mão de obra. Mais do que isso, a colheita também influi na qualidade do produto final, pois idealmente deseja-se que somente os frutos maduros sejam colhidos.
A colheita pode ser feita de forma manual ou mecânica. A forma manual pode ser dividida nos seguintes tópicos:
Derriça no chão: Neste processo,os chamados panhadores retiram todos os frutos do cafeeiro, galho por galho. Os frutos caem diretamente no chão e são colhidos em diferentes estádios de maturação. Esse processo é o menos recomendável, pois a bebida e o aspecto do café são prejudicados quando os frutos entram em contato direto com o chão.
Derriça no pano: Esse processo é bastante semelhante ao anterior. A diferença principal se dá na colocação de um pano para que o café não entre em contato direto com o chão. Isso tende a gerar um produto mais limpo e com maior qualidade. O café colhido dessa maneira é carinhosamente chamado de “café da roça”.
Colheita seletiva: Neste processo, os panhadores de café retiram apenas os grãos de café que estão no estádio de cereja. Os frutos verdes e verde cana são deixados no pé para se desenvolverem. Ao realizar a retirada do fruto cereja, os panhadores colocam o fruto em um cesto ou um saco. A tendência é que os cafés colhido dessa forma sejam de altíssima qualidade.
Dentre as colheitas manuais, a que menos gera impurezas no café (pedra, pau, cascas) é a colheita seletiva (0% de impureza). Já o café derriçado no chão apresenta um percentual de 50% de impurezas. Por fim, o café derriçado no pano apresenta 5% de impureza.
Colheita feita de forma manual
Outra maneira de se realizar a colheita do café é através da utilização máquinas. Esse tipo de colheita foi introduzida no Brasil por volta da década de 70. Nos últimos anos, devido a dificuldade e ao alto custo da mão de obra para se realizar a colheita manual, a colheita mecânica tem crescido no Brasil. Em fazendas que possuem o terreno plano a colheita mecanizada é muito utilizada e auxilia na diminuição do custo de produção.
Colheita feita através de maquinas
O Pós-Colheita
Após a colheita do café na lavoura é preciso realizar o processo de pós-colheita. Aqui o café será preparado e secado para poder atingir a umidade correta para ser beneficiado. A preparação do café pode acontecer de duas maneiras: preparo por via seca ou preparo por via úmida, conforme a seguir.
Via seca: Os cafés preparados dessa forma são chamados de “não lavados”. O café colhido pode ser submetido a tanques lavadores-separadores ou seletores. Os tanques lavadores-separadores lavam o café e separam os grãos por densidade. Ou seja, o café que secou no pé é mais leve e flutua sobre a água. Os cafés verdes e maduros são mais pesados e sedimentam, sendo conduzidos por outra abertura do lavador e consequentemente para outra área do terreiro para ser trabalhado de forma separada. Já os seletores são utilizados quando não há água abundante para se trabalhar. Dessa maneira, a retirada de impurezas (terra, pedras, galhos, etc) é feita por peneiras. Logo em seguida o café é submetido a uma ventilação, que separa os cafés secos (mais leves) dos maduros e verdes.
Via úmida: Os cafés que utilizam esse método são chamados de “lavados“. O principal objetivo desse processo é a obtenção de um produto de melhor qualidade. Os cafés que passam pela via úmida tem a sua casca (epicarpo) e a mucilagem açucarada (mesocarpo) removidas. Tais partes apresentam uma maior incidência de microorganismos que influenciam negativamente na qualidade da bebida. É desejável que esse processo seja feito com cafés cerejas. O café passa por três etapas: (i) lavagem, (ii) despolpamento e (iii) degomagem. Primeiro, o processo de lavagem consiste em remover as impurezas e separar o café cereja, que será utilizado para o despolpamento. Segundo, na etapa de despolpamento é removido a casca do café, deixando o grão apenas com o pergaminho (endocarpo) e mucilagem (mesocarpo). Por fim, o processo de degomagem separa a goma açucarada do café do pergaminho.
É importante ressaltar que os cafés produzidos através de via seca, com todos os cuidados necessários, também resultam em excelentes bebidas.
Após executar o preparo do café através de via seca ou via úmida, é preciso realizar a secagem. Ambos os cafés, lavados e não lavados, precisam ser secados. A secagem pode ser feita através de meios naturais ou artificiais. Os meios naturais consistem nas seguintes opções: (i) secagem à sombra, (ii) secagem em tabuleiro, (iii) secagem em terreiro. A secagem a sombra gerará um produto mais uniforme, resultado de um processo mais lento e que proporciona a igualação do café. Já secagem em tabuleiro evita que o café entre em contato direto com o chão, e assim, auxilia na produção de um produto de qualidade elevada. Por fim, a secagem em terreiro consistem em esparramar o café em finas camadas no terreiro. O café precisa ser revirado constantemente, para evitar fermentações não desejáveis e também para proporcionar uma seca mais uniforme. Essa forma de secagem é bastante utilizada no Brasil. Já a secagem artificial, utiliza secadores mecânicos que são empregados para reduzir o tempo gasto na secagem do café. Basicamente, tal equipamento é constituído de uma câmara de aquecimento, onde são depositados os grãos, uma fornalha para produção de calor e um sistema de ventilação, responsável por levar o ar quente produzido pela fornalha para a câmara onde estão depositados os grãos de café.
Beneficiamento do café
Após o café passar pelo pós-colheita e atingir a umidade desejada (entre 11% e 12%), ele está qualificado para ser beneficiado. É durante a etapa do beneficiamento que será obtido o que conhecemos como grão cru do café.
Para o nosso propósito informativo, vamos falar sobre o básico utilizado para se beneficiar o café, no qual se realiza a limpeza e a remoção da casca dos grãos.
Limpeza: Possui duas etapas, uma de (i) retirada de impurezas (terra e pedrinhas) e a outra de (ii) retirada de pedras mais pesadas. A retirada das impurezas é feita através de uma bica de jogo, formada por um conjunto de peneiras com diferentes tipos de furos. Esses furos de tamanhos diferentes servem para separar o café das impurezas leves. Já a retirada de pedras mais pesadas é feita através do catador de pedras. Basicamente, funciona com uma corrente de ar que age soprando e faz com que o café seja separado das pedras mais pesadas, as quais são eliminadas através de uma abertura específica para o descarte.
Descascamento: Após a remoção das impurezas, o café está pronto para ser descascado. É através do descascador que se remove a casca do café. Basicamente, o descascador é composto por navalhas metálicas giratórias e uma outrafixa, que são reguláveis. A casca é descartada pelo sistema de ventilação.
Unidades de benefício mais sofisticadas possuem máquinas que servem para realizar o re-beneficiamento do café. Por exemplo, a separadora densimétrica ou mesa vibratória, que separa o café de acordo com o peso. Outro exemplo é o jogo de peneiras, utilizado para separar o café de acordo com a granulometria do grão de café.
Classificação do Café
Depois de ser beneficiado o café passa pela etapa de classificação. A classificação do café tem como objetivo (i) possibilitar a realização de transações a distância, (ii) facilitar a obtenção de financiamentos, (iii) possibilitar transações em bolsa de valores, (iv) estabelecer preços justos de acordo com a qualidade do café, (v) dar maior agilidade na comercialização, etc. Essa etapa é muito importante, pois é pela classificação que se verifica a qualidade do trabalho executado em todas as etapas anteriores.
Antigamente no Brasil utilizava-se 300 gramas para classificar o café, que deve representar fielmente o lote de café que está sendo analisado. Nos dias atuais utiliza-se 100 gramas para realizar a classificação e multiplica-se por três a quantidade de defeitos encontrados. Isso foi feito a fim de agilizar o processo de classificação.
A classificação do café é realizada de acordo com o fim a que o produto se destina. Por exemplo, existem classificações distintas para fins informativos, para financiamento, para exportação, para aquisição do Governo Federal, para consumo interno, para certificação em Bolsa, para concurso, para cafés especiais, etc.
No nosso país, utiliza-se bastante a classificação por tipo. Basicamente, essa classificação consiste em classificar o café de acordo com o número de grãos defeituosos e imperfeitos, identificados em uma quantidade de 100 gramas de café. Os defeitos podem ser de natureza intrínseca (grãos imperfeitos), que são grãos que apresentam problemas devido a aplicação imperfeita de processos agrícolas, de beneficiamento/pós-colheita (pretos, ardidos, verdes, mal granados, quebrados, brocados, etc). Existem também os defeitos de natureza extrínseca (impurezas) que são os elementos estranhos ao café beneficiado (cascas, paus, pedras, etc).
Análise Sensorial
A determinação da qualidade da bebida é feita através da análise sensorial clássica, que é realizada segundo o sabor e o aroma que o café apresenta na prova de xícara. Esse tipo de classificação é bastante antiga, surgiu no início do século XX e foi adotada pela Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos. Basicamente, a análise sensorial é feita por provadores que são treinados para diferenciar os cafés de acordo com seus sentidos. A classificação oficial brasileira, em ordem decrescente, tem as seguintes denominações para a bebida do café: estritamente mole, mole, apenas mole, dura, riado, rio e rio zona. Entretanto, os cafés especiais passam por uma análise sensorial mais sofisticada. Essa análise considera os seguintes atributos: xícara limpa, doçura, acidez, corpo, sabor, retrogosto, balanço e nota geral. Além disso, avalia-se também a ausência de defeitos, a fragrância (cheiro do pó moído) e o aroma (cheiro liberado após a infusão e também na quebra da crosta).
Neste post você consegue uma descrição mais detalhada sobre a classificação sensorial do café.
Torra do Café
As características sensoriais e terapêuticas do café são bastante valorizadas pelo consumidor. Essas características são alteradas durante o processo de torração dos grãos, por isso a etapa de torra é uma etapa crucial para se produzir uma bebida final de alta qualidade. A torra dos grãos é um processo pirolítico (induzido pelo calor) que amplia a complexidade química do café.
O café verde não possui aroma e tem um sabor amargo desagradável. O aquecimento dos grãos da origem aos compostos responsáveis pelo aroma e sabores agradáveis do café. O café torrado possui mais de 800 espécies moleculares diferentes. Logo, é o processo de torra que propicia o sabor e o aroma do café, sem ele não poderíamos apreciar os elementos do café no produto final gerado após a torração.
Durante o processo de torração, o café é submetido ao aquecimento gradual de um torrador (cilíndro grande rotatório quente). Esse processo faz com que a água residual dentro de cada célula seja convertida em vapor, o que causará uma série de reações químicas complicadas entre proteínas, lipídeos e minerais contido no interior do grão. Os amidos transformam-se em açúcar, surgem algumas espécies de ácidos e outros ácidos são eliminados. A estrutura celular básica do grão se desintegra, isso ocasiona a expansão do mesmo. Por fim, as proteínas são desmembradas transformando-se em peptídeos, que posteriormente irão se libertar através da superfície do grão sob a forma de óleos. Os óleos aromáticos são o coração da torrefação, eles são voláteis, no sentido de transportar sabor e aroma, e também são solúveis em água. Por isso, o sabor e aromas podem ser apreciados em uma xícara de café!
O ponto de torra é comumente avaliado com subsequentes retiradas de amostras durante o processo da torração, visando a observação da cor do café, de acordo com o padrão desejado e conforme o uso. A torração clara dá origem a cafés com acentuada acidez, suavidade do aroma e sabor, menor amargor. Já a média acentua o aroma e o sabor. A torração escura mascara atributos negativos da matéria prima. Por isso, a torração média, também conhecida por “americana”, é a mais utilizada, inclusive para a classificação do café segundo a torração. Este ponto é caracterizado por coloração de achocolatada clara, já que uma torração muito intensa não permite a detecção de defeitos que o café pode conter e não permite aquilatar com eficiência o aroma e sabor do café.
Consumindo o Café
Finalmente, após todo o trabalho realizado nas etapas anteriores, o café está pronto para ser consumido. O preparo da bebida, com a água mineral ou filtrada, na temperatura ideal e sem gosto (como o cloro), com a moagem correta para o método escolhido e com as proporções ideais, farão toda a diferença no resultado final.
Na hora de escolher o café a ser consumido, lembre-se, preze pela qualidade, cuidado e origem dos grãos. Se aventure nos diferentes métodos para se deliciar com as diversas sensações que um mesmo grão pode levar para você! E, se possível, moer os grãos antes do preparo para garantir a magia sensorial.
Todas as etapas descritas anteriormente precisam ser executadas com maestria para se produzir um excelente café. São diversos pontos que precisam de atenção e cuidado, para não estragar o que foi feito anteriormente e nem prejudicar o que será feito posteriormente. Por exemplo, se o processo de torra não for bem executado ele deteriorará todo o trabalho feito anteriormente a essa etapa e prejudicará a qualidade final percebida na hora do consumo do café. É um trabalho árduo desenvolvido diariamente pelo produtor e posteriormente pelas demais pessoas que integram a cadeia do café, que gera um café incrível para degustarmos em nossas xícaras diárias.
São muitas histórias, trabalho de pessoas competentes e amor que esses grãos carregam, em toda a sua cadeia! Bons cafés sempre!
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Referências
A semente do café: desenvolvimento e perspectivas genômicas – Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil
Café – Fruto, grão e bebida – Luís César da Silva – Universidade Federal do Espírito Santo
Aspectos Fisiológicos do Desenvolvimento de Frutos de Cafeeiros Cultivados em um Gradinte de Altitude na Serra da Mantiqueira – Meline de Oliveira Santos – Universidade Federal de Lavras
Eu tive o privilégio de nascer em uma família de cafeicultores. Tradição que já vem de seis gerações da família Reis. Lembro do meu pai chegando da roça de tardezinha, trazendo as garrafas com o leite que foi “tirado” naquele mesmo dia.
Eu e meus três irmãos tomávamos cerca de seis litros de leite da roça, com chocolate, por dia. Ainda pequenos, amávamos a tal da mamadeira. Acontece que, meu pai, como bom cafeicultor e entusiasta do seu trabalho, vira e mexe “trocava” o chocolate por café na nossa mamadeira, para começarmos a gostar da bebida.
Dito e feito. Somos quatro irmãos que não passam um dia sequer sem tomar um café. Sempre tomamos o café da roça, devido ao “engano” do meu pai que colocava café “sem querer” na mamadeira.
Quando eu e meus irmãos saímos da pequena cidade de Três Pontas (no interior de Minas Gerais) para definir nossos destinos, nunca faltou na mala a “comidinha” de casa e o pó de café da roça. Tomar café em casa, coado com o pó da Fazenda Recanto, trazia uma enorme alegria e satisfação ao iniciar o dia com uma bebida surpreendente. Mais do que isso, ela fazia (e ainda faz) toda a diferença na hora de estudar e criar, despertando e aguçando a minha criatividade.
Preparando café na Fazenda Recanto – Café disponível aqui
Acontece que tomar o café da roça já era um hábito meu. Não percebia o que isso poderia representar para outras pessoas. A certeza de que a qualidade desse café também poderia mudar a vida de outras pessoas ficou clara quando alguns amigos experimentaram e se apaixonaram, já no primeiro gole.
Eu, o Sérgio (que também é de Três Pontas) e o Marcos (grande amigo nosso), quando percebemos que cafés de qualidade impulsionava a alegria e satisfação das pessoas, nós resolvemos facilitar a obtenção da matéria prima causadora de todos esses sentimentos. Em outras palavras, nos juntamos para tornar possível para qualquer pessoa também desfrutar das experiências incríveis que são proporcionadas por cafés de qualidade.
Nós que tomamos café todo dia, criamos este hábito, que, somado às nossas lembranças, define a nossa história. Somos preocupados com o que consumimos e as diversas opções de produtos, em conjunto com a necessidade de agilizar a nossa vida moderna, acaba nos afastando do que realmente importa.
Produtor Francisco na lavoura de café da Fazenda Recanto – Café disponível aqui
Nós já falamos aqui o que é um café especial e o que ele representa para nós neste post.
Ter uma vida de qualidade, alimentação saudável e de qualidade demanda atenção ao produto que consumimos.
O trabalho do produtor, o maior responsável pelo café, é fundamental. Saber a origem dos produtos que consumimos nos aproxima de sua história e também valoriza o trabalho árduo realizado para se atingir a maior qualidade possível.
É por esse motivo que mantemos uma relação próxima com todas as fazendas que produzem os cafés que oferecemos. Assim, criamos um laço de amizade com os produtores, acompanhamos a safra e escolhemos os melhores lotes. Por este motivo, em 2019 o mais novo sócio João veio integrar a nossa equipe. Ele que é engenheiro agrônomo, seleciona os cafés e acompanha diretamente no campo, o ano inteiro, os produtores parceiros para ajudar a produzir mais qualidade ainda. Aproximamos o consumidor com o produtor, expondo toda a história por trás de cada café incrível.
Débora, Sr. Donizeti Araújo (Fazenda Seixal) e Sérgio na Fazenda Seixal – café disponível aqui
A torra fresca e bem trabalhada deixa o grão no ponto para ser consumido. Mais do que isso, a moagem realizada na granulometria específica para o método de preparo que será utilizado faz a diferença na xícara. Por isso, fazemos questão de dar a opção aos nossos clientes de escolher a moagem específica para receber seu café.
As notas de sabores e aromas dos grãos são identificáveis naturalmente, pois são características de sua origem, sem nenhuma adição artificial, perceptíveis sutilmente, como as notas do vinho. A doçura já vem da lavoura, plantada no pé! Vale experimentar sem adoçar.
Consumir cafés especiais aumenta os horizontes do produtor. A preferência do consumidor já está nos números: a expansão da demanda por cafés mais bem cuidados desde o cultivo, passando pela colheita e finalizando com a preparação da bebida é crescente, de acordo com a pesquisa feita anualmente pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Em razão da maior exigência dos consumidores brasileiros pela qualidade, os cafés excelentes produzidos no Brasil, que eram enviados para o exterior, passaram a ser consumidos internamente também.
A tradição do café do meu pai e da minha família é hoje prazer nas casas do mundo inteiro. Uma frutinha que traz milhões de possibilidades sensoriais e está abarrotada de histórias. Herança da minha família e que dita o meu futuro.
Preparando café na Fazenda Seixal – Disponível aqui
Sim, o nosso trabalho de levar cafés de qualidade para todos é árduo e o caminho é longo. Mas é gratificante e prazeroso. O retorno dos nossos clientes, que estão descobrindo o prazer de degustar cafés que antes eram valorizados apenas no exterior e criando seu próprio ritual a partir desses grãos, nos motiva ainda mais para continuar levando este legado em forma de bebida para todo mundo.
Levamos cafés diferentes e incríveis que carregam, além de sabores e aromas para exercitar a memória gustativa, o gosto e o cheiro de onde foram cultivados.
Tomar café especial é mais que apenas degustar uma bebida. Ele aproxima as pessoas, traz sensações e lembranças, além de contar histórias espetaculares.
Portanto, acredite quando digo que é um universo sem volta….